Uma noite diferente
No entanto, apesar desse caminho ser longo, o excitante é o facto de ele ser percorrido lentamente. A frustração, a curiosidade, a ansiedade o desejo, todos andam de mão dada.
Algo-me me chama atenção. A rapariga que está duas ou três cadeiras à minha frente apoia a perna direita na cadeira da frente. Não ligo, e continuo a ver o filme. A protagonista é uma prostituta. É obrigada a levar uma vida porca para se sustentar e combater o vício da droga. Pelo menos é isso que afirma. Mas por trás desta história deprimente esconde-se o verdadeiro vício. Afinal a protagonista não é prostitua, mas sim ninfomaníaca. Mas esperem.. à minha frente, a "tal rapariga" (a partir de agora chamemos-lhe assim), acaba de repetir a cena, mas desta vez com a perna esquerda. Agora, as suas pernas estão ligeramente afastadas. Na escuridão nota-se um movimento suave da mão. Será esta a primeira vitima? O filme já pouco me prende. É impressionante a força de toda aquela delicadeza. Está a deixar-me louco. O climax está finalmente atingido. De forma brusca levanto-me. Rapidamente curvo-me. Lembrei-me que não estou sozinho. Existem pessoas interessadas no filme. Aproximo-me da "tal rapariga". Após uma rápida avalição de toda a sua estatura sinto as hormonas a passearam no meu corpo. Tomaram posse de todo o sistema nervoso. Já nada pode ser feito. Sento-me mesmo ao lado dela. A atitude mantém-se. As coisas foram acontecendo naturalmente e cada vez se tornava mais e mais erótico pisando agora a linha do pornográfico. Sentia-a bafejar lentamente no meu pescoço. Pensei em vós baixa, Estão todos a olhar para nós. Ela disse: "O que é que isso interessa". Eu disse: "Nada".
